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O GAM nos deu uma linguagem comum, a linguagem da cidadania. (pessoa usuária de serviços que participa do projeto GAM - Brasil) 
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Québec e o Brasil

Pioneiros nas políticas de comunitarização

Canadá e Brasil estão na vanguarda das políticas de comunitarização em saúde mental. Em 2007, por exemplo, a Comissão de Saúde Mental, criada pelo governo canadense, em colaboração com as províncias responsáveis pela saúde, visa "contribuir para a implementação de um sistema de cuidados integrados, com foco em pessoas sofrendo de doença mental " (Saúde Canada, 2007) para apoiá-las na comunidade. Trata-se de promover a colaboração entre uma variedade de atores, particularmente pessoas com problemas de saúde mental, suas famílias e outras pessoas próximas. No Quebec, o Plano de Ação 2005-2010 visa reforçar a transferência de recursos para a comunidade e orientar os serviços em direção do restabelecimento (“recovery”).

No Brasil, uma reforma ambiciosa levou à criação de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e à renovação das práticas psicossociais e de gestão, na perspectiva de apoiar a autonomia dos usuários na comunidade. Em 10 anos, o financiamento dos hospitais passou de 94% a 70% dos custos do sistema (redução de 27 000 leitos). Essa mudança foi positiva: em 2006, os 1011 CAPS receberam 30% dos recursos e as instalações disponíveis na comunidade quintuplicaram.

A voz dos usuários

No Quebec, os movimentos comunitários e de defesa dos direitos dos usuários dos serviços de saúde mental têm sido fundamentais para colocar os usuários no centro da Política de Saúde Mental, assim como promover a apropriação de poder e o restabelecimento como princípios orientadores das práticas (Quebec, 2000, 2005). Estes grupos estão implicados em instâncias de participação para o planejamento dos serviços locais e regionais.

No Brasil, apesar de um significativo movimento de luta "antimanicomial", constituído de profissionais, famílias e usuários, as ONGs ainda são pouco numerosas. As organizações de usuários e de familiares se multiplicam e reivindicam a participação na elaboração de políticas e na gestão dos serviços. O sistema de saúde brasileiro reconhece a importância de sua participação. Apesar disso, as desigualdades sociais e a exclusão dificultam sua influência real. Os CAPS podem desempenhar um papel central neste contexto, facilitando a articulação entre a comunidade e o sistema de saúde.

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